segunda-feira, 21 de junho de 2010

Padre Calixto - 55 anos de ordenação sacerdotal


Foto: Luiz Carlos Paes Vieira

O Padre Calixto - um dos membros fundadores da ALI - completou 55 de ordenação sacerdotal no último dia 4 de junho. A data foi comemorada com festa e a comunidade iperoense participou da celebração especial realizada em 5 de junho. A celebração fez parte das comemorações da tradicional Festa de Santo Antonio.
Figura marcante e presente em momentos importantes da história da cidade, o Padre Calixto dedica seus trabalhos à igreja de Iperó há 45 anos. Esteve na cidade (quando ainda distrito de Boituva) entre 1957-1958 e depois, de forma definitiva, a partir de 1967, ano em que a antiga capela foi elevada à categoria de Matriz e sede de paróquia. Paralelamente às atividades na igreja, lecionou por mais de 20 anos na rede estadual de ensino e foi o responsável pela pesquisa que resultou na escolha da frase presente no Brasão de Iperó: VITAM IMPENDERE VERO (Consagro a vida à verdade).
Transcrevemos a homenagem ao Padre Calixto:

"Cada dia que vivemos é uma ocasião especial. E muitas pessoas com as quais nos encontramos durante a nossa vida, acabam misturando os caminhos delas com os nossos. Elas nos ensinam e nós as ensinamos. Assim é o Padre Calixto, que há tantos anos tem se dedicado à nossa igreja e à nossa cidade, participando de diversos momentos da vida de cada um de nós, dos nossos familiares, amigos e pessoas próximas.
Quantos iperoenses foram batizados pelo Padre Calixto? Quantos receberam a unção dos enfermos? Primeira eucaristia? A quantos casais ele declarou “marido e mulher”? Quantas vezes, dizendo “Isto é Meu Corpo; Isto é Meu Sangue”, o padre trouxe Jesus até o nosso altar? Em quantas ocasiões ouvimos chamar-nos “caríssimos irmãos no povo santo de Deus”?
Após anos de ininterrupto trabalho em Iperó, tornam-se perguntas difíceis de serem respondidas precisamente. Quantos bons exemplos o Padre Calixto deu à nossa comunidade? Talvez o maior de todos seja o exemplo de uma vida integralmente fiel ao Evangelho e à vocação sacerdotal.
Nasceu em Jaraguá do Sul, Santa Catarina, em 11 de novembro de 1928. Foi chamado de Antonio Martins. A família de tradição religiosa o incentivou desde cedo a seguir o sacerdócio. Filho de dona Maria Martins e do professor Antonio Manoel Martins, o Padre Calixto iniciou os estudos na escola fundada pelo pai. Era 1935 e paralelamente aos estudos, o padre trabalhava na roça para ajudar a família.
Influenciado pelos pais, foi encaminhado a um Seminário Preparatório Salvatoriano, em 1942, na cidade de Videira, também Santa Catarina. Esse ano, porém, o marcou por outro motivo: a perda do pai em decorrência da tuberculose. Um ano depois, aos 15 anos, mudou-se para Jundiaí, onde completou os cursos ginasial e secundário no Seminário Menor. Cursou Filosofia e Teologia e terminou a formação na capital paulista. Em 4 de junho de 1955, foi ordenado sacerdote em Santo Amaro, através da imposição das mãos de Dom Paulo Rolim. Começou a vida pastoral na vila Arens, em Jundiaí, em 1956, onde também lecionava. Desde então, passou a usar o nome Calixto, para diferenciá-lo como padre e professor. Como padre passou a ser chamado Antonio Calixto, e como professor, Antonio Martins.
Entre 1957 e 1958, passou diversas vezes e atuou como padre no então distrito de Iperó, ainda pertencente ao município de Boituva. Na época, residia no Seminário de Conchas e não imaginava que tempos depois viria a ser o primeiro pároco daquela igreja dedicada a Santo Antonio.
Posteriormente seguiu para Fortaleza, onde atuou na periferia e lecionou até 1961. Problemas na visão o obrigaram a voltar para São Paulo, onde os recursos médicos eram maiores. Passou pelo Hospital das Clínicas, Instituto Penido em Campinas e seguiu para Belo Horizonte. Como nenhum desses locais apresentou um diagnóstico positivo de recuperação, foi buscar tratamento na Europa. Em Barcelona, na Espanha, se submeteu a cirurgia e permaneceu por um ano e meio naquela região. De volta ao Brasil, chegou a atuar na cidade de Vassouras, Estado do Rio de Janeiro, onde permaneceu por dois anos.
Em 1967, com a criação da Paróquia Santo Antonio, no novo município de Iperó, foi convidado por Dom José Melhado Campos para ser o pároco. Primeiro pároco. Já conhecido no local, tomou posse após um período de turbulência em que a igreja esteve fechada devido a desentendimentos entre o padre Olavo Munhoz – pároco em Boituva e responsável pela igreja de Iperó – e o prefeito José Homem de Góes.
Durante 28 anos, o Padre Calixto dividiu-se entre a educação e a igreja. Inicialmente lecionou no próprio município, na escola “Gaspar Ricardo Júnior”. Depois foi para São Paulo, onde morava durante a semana e somente podia voltar à paróquia nos fins de semana. Concluiu os cursos de Desenho, Pedagogia, Estudos Sociais e Educação Artística. Além de alemão, espanhol, francês, inglês e latim. Mesmo com as dificuldades, sempre procurou desenvolver a missão sacerdotal da melhor forma possível.
Um dos objetivos, enquanto esteve à frente da paróquia, era construir uma nova igreja matriz. Isso se concretizou após 1995, com a chegada do novo pároco, padre Inácio Kriguer, com o qual cultivou uma grande amizade. Sob a liderança do padre Inácio, o novo templo foi construído e inaugurou-se a nova matriz em janeiro de 2000. Hoje, Padre Calixto, completando 55 anos de ordenação sacerdotal, Iperó tem o privilégio de tê-lo como pároco ou vigário durante 45 anos. Enquanto um trabalhador se aposenta com 35 anos de serviço, muitas vezes com dificuldade, o senhor tem se mostrado um incansável. Mesmo após alguns problemas de saúde, que o submeteram a cirurgias, sua força de vontade em levar adiante sua missão, é grande. Então, foi a partir dos sentimentos de respeito, gratidão e estima por sua figura de sacerdote e homem, que nasceu essa nossa homenagem.
Queremos parabenizá-lo e agradecer por tudo o que o senhor já fez por esta cidade e esta comunidade durante todo esse período caminhando junto ao povo iperoense. Muito obrigado, “Padre Calixto”. Que Deus continue lhe abençoando, para que esta data, festiva e alegre, possa se repetir por muitos anos."

Hugo Augusto Rodrigues
Academia de Letras de Iperó – Cadeira 11 – Patrono: Mário Quintana

Mulheres de têmpera!

Já vi rostos puros e perfeitos
De mulheres devotadas ao lar
E no labor do ferro os trejeitos
Das operárias nos teares a fiar.


Vi moças esmerilhando o aço
Mãos a manejar empilhadeiras
Nas oficinas moldando o traço
Na concha da forja as fogueiras.


São mulheres gentis e corajosas
No olhar se conservam formosas
Girando gruas suspensas no fluxo.


Enquanto as soldas soltam faíscas
Nas labaredas brandas ou ariscas
O ferro guza ganha formas de luxo!


Lázaro Piunti
Academia de Letras de Iperó – Cadeira 12 – Patrono: Saint Exupéry

Símbolo dos sonhos desfeitos!

Perguntam os curiosos quem sou eu?
Penetrando nos desvãos do meu arquivo virtual, essas pessoas vasculharam as reentrâncias e os escaninhos de minha alma.

Queriam descobrir e ainda tentam rasgar os segredos ocultos no escrínio do meu coração.

Malgrado todo o empenho não desvendarão os meus mistérios.

Pois eles são feitos de mágoa e angústia, solidão e tristeza!
Sou alguém que experimentou as delícias do céu e, num repente, viu-se arrojado ás profundezas do inferno.
Sou o resignado que desperdiçou a seiva. O descuidado semeador de primaveras! O amante que se feriu sucumbindo à paixão, o sonhador que ambicionou celebrar o amor divino e se perdeu!

Quem sou eu, afinal?
Sou restos da voz que se calou. Sou tentativa de herói que não venceu. Sou a filigrana de faíscas de sol que as nuvens cobriram com as sombras do esquecimento. Ou vestígios de luar desbotado pelo encantamento.
Sou metáfora e parábola, próclise e mesóclise, meio sem começo, fim que não tarda, um amanhã sem esperança!
Imagem que perdeu o reflexo, paisagem que o mal lhe furtou a cor, sou a vítima convertida em réu, o mártir da insignificância.
Sou isso tudo e sou nada!

Lázaro Piunti
Academia de Letras de Iperó – Cadeira 12 – Patrono: Saint Exupéry

Solenes arbustos!

Um dia me levarão á floresta dos homens.
E meu corpo, adormecido, não sentirá mais frio.
Envolto no vulto apático em que me transformei, ali ficará inerte, livre de preocupações humanas.

As pessoas retornarão ao cotidiano e, por algum tempo ainda, se lembrarão de mim. Pouco a pouco, seguindo o rumo natural da vida, o pensamento se ocupará de novas e mais suaves atrações.

Enquanto isso, plantado entre arbustos de cruzes, solenemente permanecerá meu corpo entre as brumas cinzentas do calcário.

A antiga carapaça que serviu de templo ao meu espírito definhará.
Invólucro frágil, pouco resistirá à ação do tempo. No começo estufará, rompendo a pele e se expondo, numa espécie de grito tresloucado a exigir liberdade tardia. Melhor não ver!
E a deterioração se consumará enfim, misturando-se ao pó irmão.

Já o espírito voará de véspera, cumprindo a sina escolhida.
Se em vida eu fui um bom sujeito, prometidas dádivas me nutrirão.
Se minha conduta existencial foi indigna, por justiça o pedágio a pagar não será pequeno.

Restará, em uma ou outra circunstância, a fatal lembrança da frase do filósofo, quando espreitava a vinda do seu próprio martírio:

- “A única coisa que sei é que nada sei”!!!

Lázaro Piunti
Academia de Letras de Iperó – Cadeira 12 – Patrono: Saint Exupéry

Dois momentos!

Sábado de outono.
A manhã ainda guardava uns restos do frio da madrugada. Mas o sol brilhava no azul do infinito. Um brilho intenso. Forte. Luminoso!

Passei defronte a uma Igreja. Regurgitava de gente. Dei um tempo.
E logo descobri o motivo de tanta euforia e riso. Era a cerimônia de um casamento. À porta do templo a noiva - em seu esfuziante vestido branco - apertava um buquê de flores nas mãos. A seu lado o noivo disfarçava a emoção. Meninas feitas daminhas de honra, corriam em ziguezague pelas alamedas da praça. Parentes e amigos dos nubentes se abraçavam. E riam. Eu vi muita alegria ali!

Afastei-me!
Caminhei sete quadras para me deparar com um aglomerado de pessoas a se espremer á porta de outra igreja. Avançando pelas laterais da nave, vislumbrei um cenário tão solene como o anterior, mas carente de sorrisos. Vazio de alegria!
O sacerdote finalizava as orações pela alma de um menino falecido na véspera, vítima de acidente no trânsito. Vinte anos!
Os pais se debruçavam sobre o caixão branco, misturando seus soluços. Junto a ambos, um casal de filhos adolescentes chorava pelo irmão morto e pelos pais. Mortos vivos. De dor. E de tristeza.

Dois momentos. Humanos - mas diferentes.
Um, a simbolizar a vida, outro, a despedida.
Aquele, o começo de um novo ciclo - este, o findar de um tempo.
Refletindo sobre estes instantes tão distintos, saí lentamente a caminhar a esmo, nesta manhã de sábado ainda frio.
Cismei com o sol. Ele brilhava para os felizes. E o seu brilho era igual para a porção dos tristes. Indiferente ao riso e à lágrima.
Estranho mundo das contradições. Do vice e versa. Do indecifrável mistério da vida!

Choro e riso, alegria e pranto, tristeza e festa!
Em silêncio proferi uma prece. Ao Deus do Desconhecido!

Lázaro Piunti
Academia de Letras de Iperó – Cadeira 12 – Patrono: Saint Exupéry

sábado, 17 de abril de 2010

18 de Abril - Dia Nacional do Livro Infantil

Caixa mágica de surpresa
Poema de Elias José

Um livro
é uma beleza,
é caixa mágica
só de surpresa.

Um livro
parece mudo,
Mas nele a gente
descobre tudo.

Um livro
tem asas
longas e leves
que, de repente,
levam a gente
longe, longe

Um livro
é parque de diversões
cheio de sonhos coloridos,
cheio de doces sortidos,
cheio de luzes e balões.

Um livro é uma floresta
com folhas e flores
e bichos e cores.
É mesmo uma festa,
um baú de feiticeiro,
um navio pirata do mar,
um foguete perdido no ar,
É amigo e companheiro.

MONTEIRO LOBATO



"Um país se faz com homens e livros"


José Bento Monteiro Lobato nasceu em 18 de abril de 1882, em Taubaté, no Vale do Paraíba. Estreou no mundo das letras com pequenos contos para os jornais estudantis dos colégios Kennedy e Paulista. No curso de Direito da Faculdade do Largo São Francisco, em São Paulo, dividiu-se entre suas principais paixões: escrever e desenhar. Colaborou em publicações dos alunos, vencendo um concurso literário, promovido em 1904 pelo Centro Acadêmico XI de Agosto.
Morou na república do Minarete, liderou o grupo de colegas que formou o "Cenáculo" e mandou artigos para um jornalzinho de Pindamonhangaba, cujo título era o mesmo daquela república de estudantes. Nessa fase de sua formação, Lobato realizou as leituras básicas e entrou em contato com a obra do filósofo alemão Nietzsche, cujo pensamento o guiaria vida afora.
Viveu um tempo como fazendeiro e foi editor de sucesso. Mas foi como escritor infantil que Lobato despertou para o mundo em 1917. Escreveu, nesse período, sua primeira história infantil, "A menina do narizinho arrebitado". Com capa e desenhos de Voltolino, famoso ilustrador da época, o livrinho, lançado no natal de 1920, fez o maior sucesso. Dali nasceram outros episódios, tendo sempre como personagens Dona Benta, Pedrinho, Narizinho, Tia Nastácia e, é claro, Emília, a boneca mais esperta do planeta.
Insatisfeito com as traduções de livros europeus para crianças, ele criou aventuras com figuras bem brasileiras, recuperando costumes da roça e lendas do folclore nacional. E fez mais: misturou todos eles com elementos da literatura universal da mitologia grega, dos quadrinhos e do cinema.
No Sítio do Picapau Amarelo, Peter Pan brinca com o Gato Félix, enquanto o Saci ensina truques a Chapeuzinho Vermelho no país das maravilhas de Alice. Mas Monteiro Lobato também fez questão de transmitir conhecimentos e ideias em livros que falam de história, geografia e matemática, tornando-se pioneiro na literatura paradidática - aquela em que se aprende brincando.
Trabalhando a todo vapor, Lobato teve que enfrentar uma série de obstáculos. Primeiro, foi a Revolução dos Tenentes que, em julho de 1924, paralisou as atividades da sua empresa durante dois meses, causando grande prejuízo. Seguiu-se uma inesperada seca, obrigando a um corte no fornecimento de energia. O maquinário gráfico só podia funcionar dois dias por semana.
E, numa brusca mudança na política econômica, Arthur Bernardes desvalorizou a moeda e suspendeu o redesconto de títulos pelo Banco do Brasil. A consequência foi um enorme rombo financeiro e muitas dívidas. Só restou uma alternativa a Lobato: pedir a falência, apresentada em julho de 1925. O que não significou o fim de seu ambicioso projeto editorial, pois ele já se preparava para criar outra empresa.
Assim surgiu a Companhia Editora Nacional. Sua produção incluía livros de todos os gêneros, entre eles traduções de Hans Staden e Jean de Léry, viajantes europeus que andaram pelo Brasil no século XVI. Lobato recobrou o antigo prestígio, reimprimindo na empresa sua marca inconfundível: livros bem impressos, com projetos gráficos apurados e enorme sucesso de público.
Sofreu perseguições políticas na época da ditadura, porém conseguiu exílio político em Buenos Aires. Lobato estava em liberdade, mas enfrentava uma das fases mais difíceis da sua vida. Perdeu Edgar, o filho mais velho, e presenciou o processo de liquidação das companhias que fundou e, o que foi pior, sofreu com a censura e a atmosfera asfixiante da ditadura de Getúlio Vargas.
Partiu para a Argentina, após se associar à Brasiliense e editar suas "Obras Completas", com mais de dez mil páginas, em trinta volumes das séries adultas e infantis. Regressou de Buenos Aires em maio de 1947, para encontrar o país às voltas com situações conflituosas do governo Dutra. Indignado, escreveu "Zé Brasil".
No livro, o velho "Jeca Tatu", preguiçoso incorrigível, que Lobato depois descobriu vítima da miséria, vira um trabalhador rural sem terra. Se antes o caipira lobatiano lutava contra doenças endêmicas, agora tinha no latifúndio e na distribuição injusta da propriedade rural seu pior inimigo. Os personagens prosseguiam na luta. Porém, seu criador já estava cansado de tantas batalhas. Monteiro Lobato sofreu dois espasmos cerebrais e, no dia 4 de julho de 1948, virou "gás inteligente" - o modo como costumava definir a morte.
Monteiro Lobato foi-se aos 66 anos de idade, deixando uma imensa obra para crianças, jovens e adultos e o exemplo de quem passou a existência sob a marca do inconformismo.

Fonte: http://www.lobato.com.br/

Fonte: www.velhosamigos.com.br/DatasEspeciais/dialivro.html

Créditos adicionais: Maria Lourdes Micaldas

Eliane Rodrigues Dionísio
Academia de Letras de Iperó - Cadeira 09 - Patrono: Elias José

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Iperó: história, cultura e progresso!

No mundo há os que só falam. E muitos que só criticam.
Uns poucos realizam!
Estes, sem dúvida, fazem a História.

Atrevo-me, embora alienígena, a cantar parabéns à simpática Iperó, ao ensejo dos seus 45 anos de emancipação. Tenho acompanhado menos como vizinho e mais como cidadão, as lutas do seu povo e a força diligente dos seus governantes. Pequena comunidade localizada no sudeste brasileiro, a oeste da capital paulista, Iperó foi plasmada nas convicções dos seus ancestrais, celebrizada nos ideais do seu filho maior, o historiador Francisco Adolfo Varnhagen - Visconde de Porto Seguro.
Sem perder sua vocação rural, atualmente a cidade se moderniza. Adquire ares de desenvolvimento planejado, propiciando qualidade de vida compatível aos sonhos e esperanças de sua boa gente.
Por vezes escapa à observação das pessoas, entregues à faina abençoada do trabalho e vivenciando os desafios do cotidiano, as mutações do cenário da sua própria Terra. Fato comum, a não diminuir absolutamente o conteúdo de amor devotado à urbe.
A gestão pública de compromisso e larga visão de governabilidade implementada pelo Executivo são visíveis e rompe fronteiras. O respaldo às suas ações consignado pelo talentoso Legislativo – caixa de ressonância dos anseios populares – edifica o binômio de progresso e desenvolvimento. À par da atenção primária devotada à promoção sócio humana, nota-se o firme crescimento econômico. E na esteira de suas realizações, a cultura galhardamente viceja. Não por acaso, exatamente um ano atrás, nascia a Academia de Letras de Iperó, honrada em sua composição com a figura ímpar e virtuosa do Padre Antonio Calixto Martins - luminosa dádiva dos céus a clarear os caminhos da cultura iperoense.
Na singeleza desta mensagem ofereço o meu carinhoso amplexo à cidade aniversariante.
Parabéns, jovem Iperó, berço de brasilidade e dignidade!

Lázaro Piunti
Academia de Letras de Iperó – Cadeira 12 – Patrono: Saint Exupéry

O papel da Academia

Concebida do sonho idealista do filósofo PLATÃO 387 anos antes de Cristo no jardim de AKADEMOS, periferia de Atenas, a Academia assim designada formulou o pensamento clássico da criação das futuras universidades.
A Academia não constrói escolas. Mas edifica o conhecimento.
Não lhe cabe erguer cidades, tampouco se apresta a higienização dos esgotos urbanos. Porém, repousa em si mesma a autoridade de propor à cidadania a desobstrução dos canais da ignorância. Cumpre à Academia exercer o sagrado ofício da sapiência. Em sua liturgia, coerente ao pensamento do discípulo de Sócrates, preconiza a libertação do homem das poderosas e invisíveis formas de dominação que o escravizam desde longevos tempos.
Romper com os grilhões do servilismo cultural é da essência acadêmica, na universalidade dos seus dogmas. É a figura do magistrado em pé – cumprindo ir além da vigilância na preservação dos idiomas clássicos das gentes e o registro histórico de sua origem. A Academia almeja a transcendência do belo. Os valores por vezes são mutilados, mas a cultura permanece. Alternam-se seus domicílios. Tem moradia nos livros, habita bibliotecas, os murais serviram como endereço. Incólume à ação do tempo, pernoitou nas cavernas em pétreas inscrições.
A Academia é guardiã da história sócio-humana, galáxia imune aos títeres e aos múltiplos sistemas e regimes. Nutre-se do pensamento – e, sendo livre, por sua vez se alimenta do conhecimento e o expressa de várias formas, inclusive dialética.
Os membros de uma Academia, controversos denominados imortais, em verdade são mensageiros da imortalidade das idéias. Feliz a urbe que acolhe e estimula o fincamento de uma Academia em suas plagas! Seu povo crescerá culturalmente à sombra da feliz cidade, comungando perenemente da felicidade.


Lázaro José Piunti - (abril-2009) – ljpiunti@uol.com.br

Academia Cristã de Letras (SP) - Cadeira 13 – Miguel Couto
Academia de Letras de Araçariguama e Região – Cadeira 5 – Luther King
Academia Saltense de Letras – Cadeira 14 - Castro Alves
Academia de Letras de Iperó – Cadeira 12 - Saint Exupéry

terça-feira, 16 de março de 2010

45 anos de emancipação de Iperó e um ano de ALI

A Academia de Letras de Iperó completa um ano de fundação e, para marcar esse primeiro ano de história, criamos este blog. Servirá como um espaço de debates entre os membros da academia e as pessoas que valorizam a cultura. A data é especial, pois também comemoramos os 45 anos de emancipação político-administrativa de Iperó. E como forma de homenagem à cidade, reproduzimos a seguir um pequeno histórico, de autoria de Hugo Augusto Rodrigues (membro da ALI, cadeira nº 11 - patrono Mário Quintana).

Iperó: 45 anos de emancipação político-administrativa
448 anos de história (1562-2010)


O município de Iperó, a 25 quilômetros de Sorocaba, com 45 anos de emancipação, possui aproximadamente 30 mil habitantes. Sua economia é baseada na indústria, comércio e agricultura. Iperó é o nome de um dos rios que limitam o território do município e significa, segundo a versão oficial, “águas profundas e revoltas”. Há outras versões: uma diz que a palavra significaria “rio piscoso” e a outra, seria a aglutinação das palavras “Ipê + Peroba”, árvores encontradas no município e nas regiões sudoeste e centro-sul do Estado de São Paulo, onde o município está localizado. Além dessas, há a versão apresentada pelo geólogo e arqueólogo Luiz Caldas Tibiriçá, um dos maiores especialistas brasileiros em línguas indígenas, que apresenta o significado de Iperó como "casca amarga" (também em alusão à Peroba). Essa última versão, devido à importância da pesquisa de Tibiriçá, poderia ser levada em consideração com mais segurança, caso houvesse uma revisão do significado oficial (para a cidade) da palavra "Iperó".
Sobre as origens, há relatos de explorações em busca de ouro e metais preciosos na região do atual município de Iperó ainda no século 16, poucos anos após o descobrimento do Brasil. O governador-geral, Mem de Sá, enviou Brás Cubas (provedor da capitania de São Vicente) e Luís Martins (minerador indicado pela Coroa Portuguesa) ao interior, a fim de procurarem veios auríferos e examinarem o metal apurado. Realizaram-se duas entradas. Uma, em 1560, dirigida por Brás Cubas, com roteiro desconhecido. Outra, no nício de 1562, chefiada por Luís Martins, à região do Jaraguá e à “Caatiba” (atual Bacaetava). Ouro e pedras verdes foram encontrados, mas de reduzido interesse econômico.
A região de Iperó também fazia parte de uma das rotas utilizadas pelos bandeirantes. Havia dois caminhos: o do Tietê e o do Paranapanema. O do Tietê, começando em Araritaguaba, descia o Anhembi, o Paraná e subia o Pardo (quando se dirigia a Vacaria). Ou então, seguia-se até o salto do Guairá para subir o Paranapanema (antes da destruição do Guairá). Os bandeirantes sorocabanos preferiram, muitas vezes, atingir o Tietê pelo rio Sorocaba, que só tinha uma cachoeira e era margeado por algumas matas onde havia madeiras para a construção de canoas. Consequentemente, esses bandeirantes passavam por regiões que atualmente representam os limites de território entre Iperó e os municípios vizinhos de Porto Feliz, Boituva e Tatuí.
Depois das tentativas de povoação em Ipanema (1599) e no Itavuvu (1611), um núcleo de bandeirantes de Parnaíba e São Paulo chegou à “paragem do Sorocaba”, por volta de 1646. Entre esses povoadores estava Brás Esteves Leme, que construiu sua casa em um local a sete léguas para o ocidente, na foz do Sarapuí com o Sorocaba (região onde hoje é o bairro Bela Vista). Leme é considerado um patriarca em Sorocaba, como João Ramalho em São Paulo. Braz Esteves Leme também é conhecido como Braz Teves. A exemplo do pai, teve catorze filhos com índias carijós de sua casa. Outros seis filhos foram frutos do legítimo matrimônio com Antonia Dias. O pai morrera em 1636, no Jaraguá, de onde extraiu muito ouro. Entende-se que o motivo de sua mudanca para o sudoeste do morro de Ipanema seria a sede por ouro e minas, além da pecuária e a lavoura que seriam desenvolvidas com a fixação naquela região. Braz Teves é um dos primeiros povoadores de Sorocaba, sogro de Pascoal Moreira Cabral (o primeiro) e avô de Pascoal Moreira Cabral (o segundo), fundador de Cuiabá.
Braz Teves construiu uma capela no seu sítio, com o título de Nossa Senhora da Conceição. E ergueu a capela sem autorização da Igreja. Pela distância do povoado em relação a Sorocaba e a solidão do lugar, a capela fazia-se necessária, não apenas para facilitar aos mamelucos e carijós a recepção dos sacramentos, mas também para não deixar o local sem a presença de civilização cristã. Após a morte de Braz Teves, os moradores se espalharam e o sítio, juntamente com a capela, ficaram desertos e foram arruinados com o tempo. Nessa época, o capitão-mor Martim Garcia Lumbria, por espontânea vontade, transferiu a pequena capela para a matriz de Sorocaba, isto é, a imagem e os carijós do testamento de Braz Teves. Em Sorocaba foram abertas duas paredes laterais e construído um arco, sob o qual se colocou num nicho a imagem. Ao pé desse altar fizeram-se os sepultamentos, por exemplo, de Tomé e Isabel de Godói Moreira, filhos de Pascoal Moreira Cabral (segundo) e bisnetos de Braz Teves.
Alguns dados afirmam que Pascoal Moreira Cabral (o fundador de Cuiabá e neto de Braz Esteves Leme) teria nascido nesse sítio e acompanhado de perto, ainda em sua juventude, o movimento de bandeirantes pelo rio Sorocaba. O cônego Luis Castanho de Almeida (Aluísio de Almeida) descreve essa fase da vida de Pascoal Moreira Cabral: “Esse rio grosso de águas e tranquilo no seu deslizar para o poente, que ele via todas as horas frente ao terreiro da fazenda de Braz Teves, era o mesmo que murmurava um convite sob a ponte na vila sorocabana e duas léguas atrás furava em ribombar solene o granito de Itupararanga. Quantas vezes não Ihe passaram sob os olhos canoas vindas da embocadura no Tietê? Imaginar-se pode a alegria com que um dia alcançou em canoa esse grande rio que podia ter conhecido em Itu ou Parnaíba. O infinito ondulado dos campos a seguir sempre para o sudoeste, e onde já passavam as primeiras boiadas, abertos e convidativos, era uma atração para os sonhos do adolescente”. É possível ainda encontrar autores afirmando que Pascoal Moreira Cabral chegou a morar numa região próxima ao local em que se encontra a atual estação ferroviária entre 1733 e 1745, também de fácil acesso ao rio Sorocaba.
Por volta de 1760, foi construída outra capela de Nossa Senhora da Conceição, além-Ipanema, próximo a Bacaetava, que também ruiu. E ainda nas ruínas da primeira capela de Braz Teves, se edificou outra, antes de 1750, segundo o monsenhor Vicente Hypnarowski. Segundo ele, ainda em meados do século 19, eram vistas, da estrada para Tatuí, que ali atravessava o rio Sorocaba, as ruínas desta segunda capela, que se chamou de Santa Cruz. Quando Campo Largo era apenas um pouso de tropeiros, em 1820, a cruz foi levada para uma nova capela. Essa cruz era bastante notável pelas pinturas de emblemas nos braços.
Mas o fato é que depois dessa época, os dados concretos existentes se referem ao povoamento das regiões da Fazenda Ipanema e Bacaetava, não existindo abordagem específica sobre a região do atual perímetro urbano de Iperó. O nome Iperó, esse sim, aparece desde o século 18. É o próprio Aluísio de Almeida, se referindo à origem da família Antunes Maciel (presente na história de Sorocaba), quem afirma que nos anos 1700, “a maioria desses Antunes moravam no Iperó e no Ipanema, então bairros de Sorocaba, hoje de Campo Largo. Revendo os livros paroquiais de Campo Largo, cansa-se a vista de tanto ler Antunes”. Possivelmente esse Iperó seja o mesmo que ainda hoje existe entre os municípios de Capela do Alto e Araçoiaba da Serra, conhecido como “Iperozinho”.
Sobre o perímetro urbano de Iperó, sabe-se, por exemplo, que o cemitério data de 1880. Como pertencia a Bacaetava, isso explica o motivo de hoje ele situar-se em local afastado do centro da cidade. Em Bacaetava, desde 1875, já existia escola de ensino primário. Também é sabido, apesar de não ser precisa a datação, que por volta de 1919 já residiam nessa região, Generosa Maria do Rosário, Samuel Domingues, Porfírio José de Almeida e suas respectivas famílias, além das famílias Antunes Moreira (os Bento), Antunes Vieira (os Caetano) e Antunes Gonçalves (os Paula). Todos eles desenvolviam uma economia de subsistência.
Rita Mota, viúva de Porfírio de Almeida, vendeu parte das terras à Estrada de Ferro Sorocabana, em 1927, para que o percurso de trilhos pudesse ser retificado e duplicado. Arlindo Luz era o diretor da Estrada de Ferro Sorocabana naquela época. Logo se iniciaram os serviços de terraplenagem para a construção da estação e das vias férreas que levariam à Alta Sorocabana e ao sul do Estado. Iperó está localizada estrategicamente: após a mudança do traçado, o ramal para Itararé passou a sair daqui. É aqui, também, que termina a linha dupla da ferrovia, vinda de São Paulo.
Em 1928, com a inauguração da nova estação, que batizou o lugar com o nome de “Santo Antonio da Sorocabana”, o povoado cresceu e passou a movimentar-se. A ferrovia é um dos principais marcos históricos da cidade. Mas hoje, segundo fontes do Sindicato dos Ferroviários de Iperó, com a ALL sobraram apenas poucos trens de carga que transportam óleo vegetal, soja, trigo e bobinas de aço.
Entre 1929 e 1930 foram construídas as casas da Sorocabana, existentes até hoje. A vila surgiu e se desenvolveu com a chegada da ferrovia. E apesar de a economia, naquele momento, ser baseada na agricultura, o local já contava com várias famílias de ferroviários. Durante a década de 1930, além das famílias citadas anteriormente, residiam em Santo Antonio outros pioneiros como Paulo Antunes Moreira, Gumercindo de Campos, Said Eid, Vital da Silva Rosa, Alfredo Sartorelli, Mário de Melo e outros, juntamente com as suas famílias. Essas pessoas colaboraram com o desenvolvimento da vila, à medida do possível. Em relação às dificuldades enfrentadas naquela época, podemos citar que, dentre outras coisas, ainda não havia luz elétrica no local.
Em 1938, Santo Antonio passou a pertencer a Boituva, pois até então pertencia a Campo Largo, hoje Araçoiaba da Serra. E em dezembro de 1943, o nome precisou ser mudado, pois já existia outra Santo Antonio no Rio Grande do Sul. Houve um Decreto-Lei Federal, de número 311 (2 de março de 1938), que disciplinou a divisão territorial do Brasil e vedou que dois ou mais locais em um Estado tivessem a mesma denominação. O Conselho Nacional de Geografia, antecessor do IBGE, ficou encarregado de definir quais locais teriam que modificar os nomes. Definiu-se também que mapas municipais deveriam ser depositados no Diretório Regional de Geografia, de acordo com os “requerimentos mínimos”. Posteriormente, em 1943, novo Decreto-Lei Federal, de número 5.901 (21 de outubro), disciplinou as “revisões quinquenais” que deveriam ser feitas em cada Estado, estendendo o critério de igualdade de nomes. Assim, os objetivos eram no sentido de resolver os problemas de denominação de “dois locais em um Estado” e posterior “eliminação, no País, da repetição de topônimos de cidades e vilas”.
Nessa época, meados da década de 1940, o vilarejo contava com o grupo escolar, o correio, o posto de saúde e a igreja matriz dedicada a Santo Antonio. No início da década de 1960 fortaleceu-se a ideia da emancipação política de Iperó, liderada por políticos locais. Em contrapartida, lideranças de Boituva descontentes com a possível divisão dos territórios, recorreram ao então governador Adhemar de Barros para que ele vetasse o projeto. Apesar de aprovado pela maioria dos deputados, Barros vetou o projeto e convocou um plebiscito para novembro de 1963. A população iperoense foi a favor da separação, o que levou o governador a retirar o veto no ano seguinte. Vale ressaltar que além do veto, foi retirada também grande parte das terras que pertenciam ao então distrito de Iperó: a divisa, que antes era o monumento em homenagem a Santo Antonio (ainda hoje existente na estrada Iperó-Boituva), passou a ser o rio Sorocaba. Em 28 de fevereiro de 1964 foi criado o município de Iperó, oficialmente instalado em 21 de março de 1965, incorporando, em contrapartida, o distrito de Bacaetava.

Fontes: Revista do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo; Revista do Instituto Geográfico e Geológico de São Paulo; Apontamentos da Província de São Paulo; entrevistas com moradores da cidade.
Imagens: Vista aérea da cidade e estação ferroviária - Arquivo José Roberto Moraga Ramos
Publicado originalmente em http://hugao.pero.vilabol.com.br