Um dia me levarão á floresta dos homens.
E meu corpo, adormecido, não sentirá mais frio.
Envolto no vulto apático em que me transformei, ali ficará inerte, livre de preocupações humanas.
As pessoas retornarão ao cotidiano e, por algum tempo ainda, se lembrarão de mim. Pouco a pouco, seguindo o rumo natural da vida, o pensamento se ocupará de novas e mais suaves atrações.
Enquanto isso, plantado entre arbustos de cruzes, solenemente permanecerá meu corpo entre as brumas cinzentas do calcário.
A antiga carapaça que serviu de templo ao meu espírito definhará.
Invólucro frágil, pouco resistirá à ação do tempo. No começo estufará, rompendo a pele e se expondo, numa espécie de grito tresloucado a exigir liberdade tardia. Melhor não ver!
E a deterioração se consumará enfim, misturando-se ao pó irmão.
Já o espírito voará de véspera, cumprindo a sina escolhida.
Se em vida eu fui um bom sujeito, prometidas dádivas me nutrirão.
Se minha conduta existencial foi indigna, por justiça o pedágio a pagar não será pequeno.
Restará, em uma ou outra circunstância, a fatal lembrança da frase do filósofo, quando espreitava a vinda do seu próprio martírio:
- “A única coisa que sei é que nada sei”!!!
Lázaro Piunti
Academia de Letras de Iperó – Cadeira 12 – Patrono: Saint Exupéry
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