A pipa é o nosso aluno, a
rabiola somos nós educadores e a linha é a informação que trabalhamos com
nossos alunos, quanto mais informações o aluno receber e compreender mais alto
ele irá subir, para isso é preciso que essa informação seja como a linha da
pipa inteira, sem embaraço forte, ou seja, a informação precisa estar sempre
interligada sem fragmentos, clara e objetiva, pois se tiver um lugar fraco na
linha, com o vento vai arrebentar e sua pipa vai embora e você e seu aluno irão
se perder, todas as informações trabalhadas de nada adiantarão.
Toda pipa é feita para subir, não importa
se é bonita ou feia, grande ou pequena, diferente ou comum. Assim também são os
alunos todos precisam aprender e não importa sua cor, tamanho, raça, “especial
ou normal”. Cabe a cada educador fazer a diferença, pois uma pipa por melhor
que seja, se não tiver rabiola não irá subir ou se a rabiola não estiver de
acordo, a pipa tentará subir mas ficará rodando até cair. Nós educadores somos
como a rabiola, direcionamos nossos alunos e os alertamos quanto aos perigos
existentes, mas no ar sempre tem várias pipas cada uma com intenções diferentes
e quando percebemos que uma pipa está perto demais da nossa pipa, é hora de
tomar uma decisão: afastamo-nos para garantir o pouco que conseguimos ficar no
ar ou enfrentamos a pipa adversária correndo os riscos mais ousando e quem sabe
conquistar mais uma pipa.
O educador sempre escolherá a segunda
opção, ele sabe que tem muita linha para soltar e não precisa ter medo, receio
de ousar, o educador precisa acreditar que é o único capaz de fazer o céu ficar
mais belo cheio de “pipas” coloridas e criativas e fazer do mundo um lugar bem
melhor.
Nós educadores precisamos ter a
sensibilidade de perceber, que se uma criança sabe escolher a cor, a forma
geométrica, quantidades de varetas, o tipo do papel e domina o modo de fazer
uma pipa, que é algo tão complexo, pois é preciso ter simetria, precisão,
requisitos necessários para que um engenheiro construa um prédio com sucesso,
essa criança é capaz de compreender e realizar qualquer outro invento, não
somente uma pipa que aos nossos olhos parece algo tão simples.
Ao realizar uma tarefa como essa, uma
criança já tem conhecimento de todas as disciplinas tidas como componentes
curriculares: Língua Portuguesa compreende e domina o modo de fazer. Matemática,
identifica a quantidade de varetas, tamanho das folhas, espessura da linha. Geometria,
a forma da sua pipa preferida, modelo ideal da rabiola. Física, sabe envergar
as varetas na forma e medida certa para desafiar o vento. Arte, a
escolha das cores, dos desenhos e o capricho como tudo é feito. Ciências,
conhecem a posição do vento sem usar nenhum tipo de instrumento científico. Geografia,
eles localizam sempre um lugar mais apropriado, de preferência procuram um
campo aberto sem fios e árvores para atrapalhar.História, eles sempre
tem uma boa para contar e justificar onde e como surgiu o modelo de pipa que
mais gostam de soltar. Educação Física, ela está em primeiro lugar, pois
preparo físico que eles tem para ficar em pé o dia todo e quando for preciso
para correr atrás das pipas que arrebentam, é de dar inveja em muitos atletas. Língua
Estrangeira, ainda desenvolvem uma segunda língua um dialeto que só eles reconhecem.
Educador quando você olha
para uma pipa você vê todas essas Competências ou simplesmente uma pipa?
Quando você olha para um
aluno observa nele todas essas habilidades necessárias para fazer uma pipa ou
simplesmente você vê um aluno?
É hora de rever os conceitos, quebrar os
paradigmas, tomar posse da profissão que escolhemos e não ter medo de ousar.
“Toda vez que você vê uma pipa no ar
lembre-se que algum educador fez a diferença para aquela criança”.
Elma Ferreira do Nascimento Ferrari
Pedagoga com especialização em Psicopedagogia e Educação Especial.
(pertenceu a Rede de Ensino de Iperó)
Boituva 2008