Foto: Luiz Carlos Paes Vieira
O Padre Calixto - um dos membros fundadores da ALI - completou 55 de ordenação sacerdotal no último dia 4 de junho. A data foi comemorada com festa e a comunidade iperoense participou da celebração especial realizada em 5 de junho. A celebração fez parte das comemorações da tradicional Festa de Santo Antonio.
Figura marcante e presente em momentos importantes da história da cidade, o Padre Calixto dedica seus trabalhos à igreja de Iperó há 45 anos. Esteve na cidade (quando ainda distrito de Boituva) entre 1957-1958 e depois, de forma definitiva, a partir de 1967, ano em que a antiga capela foi elevada à categoria de Matriz e sede de paróquia. Paralelamente às atividades na igreja, lecionou por mais de 20 anos na rede estadual de ensino e foi o responsável pela pesquisa que resultou na escolha da frase presente no Brasão de Iperó: VITAM IMPENDERE VERO (Consagro a vida à verdade).
Transcrevemos a homenagem ao Padre Calixto:
"Cada dia que vivemos é uma ocasião especial. E muitas pessoas com as quais nos encontramos durante a nossa vida, acabam misturando os caminhos delas com os nossos. Elas nos ensinam e nós as ensinamos. Assim é o Padre Calixto, que há tantos anos tem se dedicado à nossa igreja e à nossa cidade, participando de diversos momentos da vida de cada um de nós, dos nossos familiares, amigos e pessoas próximas.
Quantos iperoenses foram batizados pelo Padre Calixto? Quantos receberam a unção dos enfermos? Primeira eucaristia? A quantos casais ele declarou “marido e mulher”? Quantas vezes, dizendo “Isto é Meu Corpo; Isto é Meu Sangue”, o padre trouxe Jesus até o nosso altar? Em quantas ocasiões ouvimos chamar-nos “caríssimos irmãos no povo santo de Deus”?
Após anos de ininterrupto trabalho em Iperó, tornam-se perguntas difíceis de serem respondidas precisamente. Quantos bons exemplos o Padre Calixto deu à nossa comunidade? Talvez o maior de todos seja o exemplo de uma vida integralmente fiel ao Evangelho e à vocação sacerdotal.
Nasceu em Jaraguá do Sul, Santa Catarina, em 11 de novembro de 1928. Foi chamado de Antonio Martins. A família de tradição religiosa o incentivou desde cedo a seguir o sacerdócio. Filho de dona Maria Martins e do professor Antonio Manoel Martins, o Padre Calixto iniciou os estudos na escola fundada pelo pai. Era 1935 e paralelamente aos estudos, o padre trabalhava na roça para ajudar a família.
Influenciado pelos pais, foi encaminhado a um Seminário Preparatório Salvatoriano, em 1942, na cidade de Videira, também Santa Catarina. Esse ano, porém, o marcou por outro motivo: a perda do pai em decorrência da tuberculose. Um ano depois, aos 15 anos, mudou-se para Jundiaí, onde completou os cursos ginasial e secundário no Seminário Menor. Cursou Filosofia e Teologia e terminou a formação na capital paulista. Em 4 de junho de 1955, foi ordenado sacerdote em Santo Amaro, através da imposição das mãos de Dom Paulo Rolim. Começou a vida pastoral na vila Arens, em Jundiaí, em 1956, onde também lecionava. Desde então, passou a usar o nome Calixto, para diferenciá-lo como padre e professor. Como padre passou a ser chamado Antonio Calixto, e como professor, Antonio Martins.
Entre 1957 e 1958, passou diversas vezes e atuou como padre no então distrito de Iperó, ainda pertencente ao município de Boituva. Na época, residia no Seminário de Conchas e não imaginava que tempos depois viria a ser o primeiro pároco daquela igreja dedicada a Santo Antonio.
Posteriormente seguiu para Fortaleza, onde atuou na periferia e lecionou até 1961. Problemas na visão o obrigaram a voltar para São Paulo, onde os recursos médicos eram maiores. Passou pelo Hospital das Clínicas, Instituto Penido em Campinas e seguiu para Belo Horizonte. Como nenhum desses locais apresentou um diagnóstico positivo de recuperação, foi buscar tratamento na Europa. Em Barcelona, na Espanha, se submeteu a cirurgia e permaneceu por um ano e meio naquela região. De volta ao Brasil, chegou a atuar na cidade de Vassouras, Estado do Rio de Janeiro, onde permaneceu por dois anos.
Em 1967, com a criação da Paróquia Santo Antonio, no novo município de Iperó, foi convidado por Dom José Melhado Campos para ser o pároco. Primeiro pároco. Já conhecido no local, tomou posse após um período de turbulência em que a igreja esteve fechada devido a desentendimentos entre o padre Olavo Munhoz – pároco em Boituva e responsável pela igreja de Iperó – e o prefeito José Homem de Góes.
Durante 28 anos, o Padre Calixto dividiu-se entre a educação e a igreja. Inicialmente lecionou no próprio município, na escola “Gaspar Ricardo Júnior”. Depois foi para São Paulo, onde morava durante a semana e somente podia voltar à paróquia nos fins de semana. Concluiu os cursos de Desenho, Pedagogia, Estudos Sociais e Educação Artística. Além de alemão, espanhol, francês, inglês e latim. Mesmo com as dificuldades, sempre procurou desenvolver a missão sacerdotal da melhor forma possível.
Um dos objetivos, enquanto esteve à frente da paróquia, era construir uma nova igreja matriz. Isso se concretizou após 1995, com a chegada do novo pároco, padre Inácio Kriguer, com o qual cultivou uma grande amizade. Sob a liderança do padre Inácio, o novo templo foi construído e inaugurou-se a nova matriz em janeiro de 2000. Hoje, Padre Calixto, completando 55 anos de ordenação sacerdotal, Iperó tem o privilégio de tê-lo como pároco ou vigário durante 45 anos. Enquanto um trabalhador se aposenta com 35 anos de serviço, muitas vezes com dificuldade, o senhor tem se mostrado um incansável. Mesmo após alguns problemas de saúde, que o submeteram a cirurgias, sua força de vontade em levar adiante sua missão, é grande. Então, foi a partir dos sentimentos de respeito, gratidão e estima por sua figura de sacerdote e homem, que nasceu essa nossa homenagem.
Queremos parabenizá-lo e agradecer por tudo o que o senhor já fez por esta cidade e esta comunidade durante todo esse período caminhando junto ao povo iperoense. Muito obrigado, “Padre Calixto”. Que Deus continue lhe abençoando, para que esta data, festiva e alegre, possa se repetir por muitos anos."
Figura marcante e presente em momentos importantes da história da cidade, o Padre Calixto dedica seus trabalhos à igreja de Iperó há 45 anos. Esteve na cidade (quando ainda distrito de Boituva) entre 1957-1958 e depois, de forma definitiva, a partir de 1967, ano em que a antiga capela foi elevada à categoria de Matriz e sede de paróquia. Paralelamente às atividades na igreja, lecionou por mais de 20 anos na rede estadual de ensino e foi o responsável pela pesquisa que resultou na escolha da frase presente no Brasão de Iperó: VITAM IMPENDERE VERO (Consagro a vida à verdade).
Transcrevemos a homenagem ao Padre Calixto:
"Cada dia que vivemos é uma ocasião especial. E muitas pessoas com as quais nos encontramos durante a nossa vida, acabam misturando os caminhos delas com os nossos. Elas nos ensinam e nós as ensinamos. Assim é o Padre Calixto, que há tantos anos tem se dedicado à nossa igreja e à nossa cidade, participando de diversos momentos da vida de cada um de nós, dos nossos familiares, amigos e pessoas próximas.
Quantos iperoenses foram batizados pelo Padre Calixto? Quantos receberam a unção dos enfermos? Primeira eucaristia? A quantos casais ele declarou “marido e mulher”? Quantas vezes, dizendo “Isto é Meu Corpo; Isto é Meu Sangue”, o padre trouxe Jesus até o nosso altar? Em quantas ocasiões ouvimos chamar-nos “caríssimos irmãos no povo santo de Deus”?
Após anos de ininterrupto trabalho em Iperó, tornam-se perguntas difíceis de serem respondidas precisamente. Quantos bons exemplos o Padre Calixto deu à nossa comunidade? Talvez o maior de todos seja o exemplo de uma vida integralmente fiel ao Evangelho e à vocação sacerdotal.
Nasceu em Jaraguá do Sul, Santa Catarina, em 11 de novembro de 1928. Foi chamado de Antonio Martins. A família de tradição religiosa o incentivou desde cedo a seguir o sacerdócio. Filho de dona Maria Martins e do professor Antonio Manoel Martins, o Padre Calixto iniciou os estudos na escola fundada pelo pai. Era 1935 e paralelamente aos estudos, o padre trabalhava na roça para ajudar a família.
Influenciado pelos pais, foi encaminhado a um Seminário Preparatório Salvatoriano, em 1942, na cidade de Videira, também Santa Catarina. Esse ano, porém, o marcou por outro motivo: a perda do pai em decorrência da tuberculose. Um ano depois, aos 15 anos, mudou-se para Jundiaí, onde completou os cursos ginasial e secundário no Seminário Menor. Cursou Filosofia e Teologia e terminou a formação na capital paulista. Em 4 de junho de 1955, foi ordenado sacerdote em Santo Amaro, através da imposição das mãos de Dom Paulo Rolim. Começou a vida pastoral na vila Arens, em Jundiaí, em 1956, onde também lecionava. Desde então, passou a usar o nome Calixto, para diferenciá-lo como padre e professor. Como padre passou a ser chamado Antonio Calixto, e como professor, Antonio Martins.
Entre 1957 e 1958, passou diversas vezes e atuou como padre no então distrito de Iperó, ainda pertencente ao município de Boituva. Na época, residia no Seminário de Conchas e não imaginava que tempos depois viria a ser o primeiro pároco daquela igreja dedicada a Santo Antonio.
Posteriormente seguiu para Fortaleza, onde atuou na periferia e lecionou até 1961. Problemas na visão o obrigaram a voltar para São Paulo, onde os recursos médicos eram maiores. Passou pelo Hospital das Clínicas, Instituto Penido em Campinas e seguiu para Belo Horizonte. Como nenhum desses locais apresentou um diagnóstico positivo de recuperação, foi buscar tratamento na Europa. Em Barcelona, na Espanha, se submeteu a cirurgia e permaneceu por um ano e meio naquela região. De volta ao Brasil, chegou a atuar na cidade de Vassouras, Estado do Rio de Janeiro, onde permaneceu por dois anos.
Em 1967, com a criação da Paróquia Santo Antonio, no novo município de Iperó, foi convidado por Dom José Melhado Campos para ser o pároco. Primeiro pároco. Já conhecido no local, tomou posse após um período de turbulência em que a igreja esteve fechada devido a desentendimentos entre o padre Olavo Munhoz – pároco em Boituva e responsável pela igreja de Iperó – e o prefeito José Homem de Góes.
Durante 28 anos, o Padre Calixto dividiu-se entre a educação e a igreja. Inicialmente lecionou no próprio município, na escola “Gaspar Ricardo Júnior”. Depois foi para São Paulo, onde morava durante a semana e somente podia voltar à paróquia nos fins de semana. Concluiu os cursos de Desenho, Pedagogia, Estudos Sociais e Educação Artística. Além de alemão, espanhol, francês, inglês e latim. Mesmo com as dificuldades, sempre procurou desenvolver a missão sacerdotal da melhor forma possível.
Um dos objetivos, enquanto esteve à frente da paróquia, era construir uma nova igreja matriz. Isso se concretizou após 1995, com a chegada do novo pároco, padre Inácio Kriguer, com o qual cultivou uma grande amizade. Sob a liderança do padre Inácio, o novo templo foi construído e inaugurou-se a nova matriz em janeiro de 2000. Hoje, Padre Calixto, completando 55 anos de ordenação sacerdotal, Iperó tem o privilégio de tê-lo como pároco ou vigário durante 45 anos. Enquanto um trabalhador se aposenta com 35 anos de serviço, muitas vezes com dificuldade, o senhor tem se mostrado um incansável. Mesmo após alguns problemas de saúde, que o submeteram a cirurgias, sua força de vontade em levar adiante sua missão, é grande. Então, foi a partir dos sentimentos de respeito, gratidão e estima por sua figura de sacerdote e homem, que nasceu essa nossa homenagem.
Queremos parabenizá-lo e agradecer por tudo o que o senhor já fez por esta cidade e esta comunidade durante todo esse período caminhando junto ao povo iperoense. Muito obrigado, “Padre Calixto”. Que Deus continue lhe abençoando, para que esta data, festiva e alegre, possa se repetir por muitos anos."
Hugo Augusto Rodrigues
Academia de Letras de Iperó – Cadeira 11 – Patrono: Mário Quintana