segunda-feira, 21 de junho de 2010

Dois momentos!

Sábado de outono.
A manhã ainda guardava uns restos do frio da madrugada. Mas o sol brilhava no azul do infinito. Um brilho intenso. Forte. Luminoso!

Passei defronte a uma Igreja. Regurgitava de gente. Dei um tempo.
E logo descobri o motivo de tanta euforia e riso. Era a cerimônia de um casamento. À porta do templo a noiva - em seu esfuziante vestido branco - apertava um buquê de flores nas mãos. A seu lado o noivo disfarçava a emoção. Meninas feitas daminhas de honra, corriam em ziguezague pelas alamedas da praça. Parentes e amigos dos nubentes se abraçavam. E riam. Eu vi muita alegria ali!

Afastei-me!
Caminhei sete quadras para me deparar com um aglomerado de pessoas a se espremer á porta de outra igreja. Avançando pelas laterais da nave, vislumbrei um cenário tão solene como o anterior, mas carente de sorrisos. Vazio de alegria!
O sacerdote finalizava as orações pela alma de um menino falecido na véspera, vítima de acidente no trânsito. Vinte anos!
Os pais se debruçavam sobre o caixão branco, misturando seus soluços. Junto a ambos, um casal de filhos adolescentes chorava pelo irmão morto e pelos pais. Mortos vivos. De dor. E de tristeza.

Dois momentos. Humanos - mas diferentes.
Um, a simbolizar a vida, outro, a despedida.
Aquele, o começo de um novo ciclo - este, o findar de um tempo.
Refletindo sobre estes instantes tão distintos, saí lentamente a caminhar a esmo, nesta manhã de sábado ainda frio.
Cismei com o sol. Ele brilhava para os felizes. E o seu brilho era igual para a porção dos tristes. Indiferente ao riso e à lágrima.
Estranho mundo das contradições. Do vice e versa. Do indecifrável mistério da vida!

Choro e riso, alegria e pranto, tristeza e festa!
Em silêncio proferi uma prece. Ao Deus do Desconhecido!

Lázaro Piunti
Academia de Letras de Iperó – Cadeira 12 – Patrono: Saint Exupéry

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