quarta-feira, 20 de julho de 2011

O gol contra da Academia!

A Academia Brasileira de Letras acaba de praticar uma iniqüidade cultural.
Em linguagem futebolística, foi um gol contra.
Os imortais da ABL concederam a histórica medalha “Machado de Assis”, ao boleiro “Ronaldinho Gaúcho”.
Quais os méritos literários do homenageado? Ao que consta, a motivação deriva do fato dele envergar – sem brilho – a jaqueta de um grande clube carioca. Por acaso, é uma associação desportiva que mesmo reunindo o maior número de adeptos no Brasil, sequer conseguiu construir estádio próprio, em sua marcha centenária. Mas esse é outro assunto.
Que o Flamengo tem força política é indiscutível.
Mesmo na condição de devedor contumaz da previdência social, se beneficiou por décadas de recursos públicos, mediante propaganda da Petrobrás em seu uniforme. É vedado a inadimplente junto à União o gozo de benefícios da espécie (Lei de Responsabilidade Fiscal).
Ora, se o Flamengo obtinha até recentemente vantagens oficiais, mesmo inadimplente, fácil seria sensibilizar a Academia Brasileira de Letras.
Em síntese, simplesmente ridícula a outorga da medalha. Machado de Assis não merecia essa desfeita.
Proclame-se, pelo menos, a verdade confessada pelo recipendiário ao agradecer aos nobres confrades do contubérnio. Entre uma garfada e outra no lauto almoço a ele oferecido, Ronaldinho foi humilde ao dizer que a partir de agora se sentirá estimulado a ler.
A legendária ABL recebe generosos recursos do governo. Não tem o direito de praticar tamanha heresia. Mas que esperar de um País em que o MEC (Ministério dos Erros Ortográficos), brinca com coisa séria?
Sugiro como alternativa seja entupida a caixa de e-mails do conspícuo sodalício, de mensagens de protesto. Cívicos, porém ácidos.
Eis o endereço eletrônico: (academia@academia.org.br). O presidente atual é o imortal Marcos Vinicius Villaça!

Lázaro Piunti – Academia de Letras de Iperó

Chegadas e partidas

Vocês já viram aquele programa da GNT, Chegadas e Partidas, apresentado pela Astrid Fontenelle? É muito bom, na maioria das vezes você se emociona e muito. A Astrid vai aos aeroportos de São Paulo e observa as pessoas e escolha algumas para fazer parte do programa, ela pergunta por quem elas estão esperando e por aí se desenrolam várias histórias.
A todo momento ocorrem várias pessoas estão chegando e partindo de um ponto a outro e não somente no sentido de viagens, mas chegando e partindo de nossas vidas, assim como aquela pessoa que acabamos de conhecer e sentimos uma grande afeição, amigos ou parentes que seguiram outros rumos e já nem temos mais notícias.
Há também aquelas chegadas e partidas que significam nascimento e morte.
Faz exatamente uma semana que minha companheira de 16 anos partiu. Minha Sansa. Sansara, estava muito doente e foi forte até o final. Pequena e brava, como todo cão pequeno, ela me acompanhou por todo este tempo, assim como acompanhou minha avó e meu tio, já falecidos, na minha ausência.
Sempre ao meu lado, me seguindo pelos cantos da casa, fazendo festa a cada encontro, assim eram os dias com ela. Com o passar do tempo ela foi perdendo a audição, a visão foi ficando deficiente, mas nunca perdeu a alegria e a dedicação por mim.
A danadinha me esperou para dar adeus, seus últimos segundos em vida eu pude presenciar e foi muito triste vê-la partir, mais eu sabia que ela precisa ir.
As partidas que acontecem em nossas vidas são sempre momentos difíceis, nos últimos 04 anos pessoas e seres que eu amava muito partiram. Foi o início de uma fase em minha vida onde eu teria que enfrentar e entender a perda, como nunca tinha experimentado antes. Primeiro foi meu tio Nelson, um tio muito querido, depois repentinamente minha tia Vera, a terceira perda foi da minha avó, a qual é um exemplo de tudo de bom que um ser humano pode ser.
No início do ano perdi minha Krika, minha cachorra querida, de forma tão tola, pois o veterinário não conseguiu descobrir o que ela tinha e me sinto culpada por não ter procurado outra opinião.
Ela estava forte, saudável e de repente começou a ficar amoada, o que não era coisa dela, pois sempre foi brincalhona e ativa, aos poucos perdeu a visão e não me esperou para dizer adeus e se foi. Até hoje sinto sua presença ao meu lado, parece que a vejo correndo ao meu encontro com aquele ar alegre que ela sempre tinha, sinto seu pelo macio e ouço seu latido pelo quintal.
As partidas, assim como as chegadas, fazem parte da vida. Enquanto alguns partem outros chegam e assim vamos caminhando.
Diante destas perdas chega Kauã, meu sobrinho, que agora já tem 02 anos, é a alegria da minha casa, da de minha mãe, de seus avós paternos, enfim, alegria de todos nós.
Espero que aqueles que partiram tenham encontrado um pouso confortável e próspero, que possam estar juntos, um cuidando do outro, e quem sabe um dia a gente se junta e faz uma grande festa de chegada.



Luciane Cristina Nunes Cardoso