segunda-feira, 21 de junho de 2010

Símbolo dos sonhos desfeitos!

Perguntam os curiosos quem sou eu?
Penetrando nos desvãos do meu arquivo virtual, essas pessoas vasculharam as reentrâncias e os escaninhos de minha alma.

Queriam descobrir e ainda tentam rasgar os segredos ocultos no escrínio do meu coração.

Malgrado todo o empenho não desvendarão os meus mistérios.

Pois eles são feitos de mágoa e angústia, solidão e tristeza!
Sou alguém que experimentou as delícias do céu e, num repente, viu-se arrojado ás profundezas do inferno.
Sou o resignado que desperdiçou a seiva. O descuidado semeador de primaveras! O amante que se feriu sucumbindo à paixão, o sonhador que ambicionou celebrar o amor divino e se perdeu!

Quem sou eu, afinal?
Sou restos da voz que se calou. Sou tentativa de herói que não venceu. Sou a filigrana de faíscas de sol que as nuvens cobriram com as sombras do esquecimento. Ou vestígios de luar desbotado pelo encantamento.
Sou metáfora e parábola, próclise e mesóclise, meio sem começo, fim que não tarda, um amanhã sem esperança!
Imagem que perdeu o reflexo, paisagem que o mal lhe furtou a cor, sou a vítima convertida em réu, o mártir da insignificância.
Sou isso tudo e sou nada!

Lázaro Piunti
Academia de Letras de Iperó – Cadeira 12 – Patrono: Saint Exupéry

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