Hoje, dia 15 de outubro, Dia do Professor , não vou falar das mazelas de ser professor, mas da glória de ser professor. Para alguns a glória de ter exercido a profissão nos anos que já se encontram distantes, para outros o meio do caminho e para outros ainda, apenas o início.
Eu particularmente tenho uma passagem curiosa no que diz respeito a profissão. Quando estava na faculdade eu recusava qualquer vaga que fosse em escola, meus colegas achavam que eu não gostava da idéia de trabalhar em escolas ou talvez pensassem que eu não precisasse trabalhar, mas era pura e simplesmente uma insegurança, um medo de não ser uma professora tão competente quanto os modelos que eu tive a oportunidade de ter em minha vida escolar.
Quando criança eu ficava olhando, admirando meus professores e pensava: Como eles conseguem guardar tanta informação, como podem saber de tantas coisas? Quando eu crescer quero ser igual a eles. Por isso o meu medo diante da responsabilidade de ser professor.
Assumir a responsabilidade de ministrar aulas para uma ou várias salas de aula, conquistar os alunos que estão ali a sua frente, esperando por algo que não sabem, mas que depositam total confiança em você como professor, é uma responsabilidade enorme. O professor é uma referência, um exemplo, nem que seja por pouco tempo. O professor compartilha tarefas, idéias, informações, conhecimento e parte de sua vida. Os papéis se invertem, os alunos também ensinam, ensinam principalmente o professor de primeira viagem.
E eu como marinheira de primeira viagem percebi que os meus alunos me auxiliavam na minha transformação de lagarta para borboleta. Usei não somente do conhecimento adquirido na faculdade, mas das lembranças de como meus professores conduziam suas aulas, eles foram e sempre serão referência, assim como as demais pessoas queridas que passaram pela minha vida e deixaram um pouco delas em mim. Assim me transformei em professora e descobri uma das melhoras coisas que poderia acontecer.
A educação é transformadora, ela nos oferece ferramentas para sermos melhores a cada dia, e também temos a oportunidade de transformar a vida de muitas pessoas. A educação é libertadora, ela nos dá asas para irmos para onde desejarmos. A educação é luz, ela clareia nossas mentes e nos faz enxergar além do que os olhos podem captar.
Sem falsa modéstia me considero uma pessoa abençoada, privilegiada, pois em toda a minha vida até hoje, pude ter a companhia de pessoas maravilhosas. Começando pelas pessoas que contemplam a minha família. A pessoa mais sábia que conheci, foi minha falecida avó, D. Vicentina, a qual ficou viúva muito cedo com cinco filhos para criar, todos pequenos, e fez da arte de costurar o seu ofício para sustentar a família, não estudou em escola formal, mas recebeu a educação de seus pais com a ajuda de vizinhos. Mesmo sendo de família humilde, de poucas posses, a maior herança que ela poderia deixar aos filhos e netos era a educação. Não somente aquela que recebemos no seio familiar, mas a oportunidade de freqüentar os bancos escolares. Nunca nos faltou nada, nem mesmo um livro para ler.
Quando vi um episódio da série JK, onde a mãe de Juscelino disse à ele que a maior herança que ela poderia deixar era a educação, pois ele nunca perderia e ninguém poderia roubar dele, lembrei da importância da educação em nossas vidas e o quanto é importante termos ao nosso lado pessoas que nos estimulam e sejam um bom exemplo.
E termino com a seguinte frase:
Mais do que todos os títulos que alguém possa receber em uma vida, a lembrança de carinho, amor e dedicação que carregamos daqueles que passaram por nós e os quais intitulamos como pessoas queridas, é o maior título que podemos oferecer.
Luciane Cristina Nunes Cardoso
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